Quarta-feira, 8 de Novembro de 2006

Voltaire (1694-1778)

                                                                          

 

“Todo o homem é culpado do bem que não fez”

 

Vida

Educado num colégio de jesuítas desde jovem se proclama livre-pensador. Distingue-se nos salões parisienses como poeta e satírico brilhante, mas a sua actividade dirigindo versos contra o Regente de França, Filipe duque de Orleães, leva-o a ser detido na Bastilha (1717). Com onze meses de prisão conclui a sua primeira tragédia, Oedipe. Depois de um duelo com um membro da nobreza, é novamente liberto. É liberto ao fim de duas semanas, comprometendo-se a sair de França; vai então para Inglaterra em 1726.

Aí ficou até 1729, publica ensaios sobre Poesia e História e torna-se admirador do sistema político britânico. De volta a França prossegue e pública obras de exaltação do sistema liberal inglês e a condenação do despotismo.

Muda-se para Potsdam em 1751, onde desempenha o cargo de camarista e guia literário de Frederico o Grande. Mas incompatibiliza-se com o rei da Prússia em 1753 e leva uma vida errante até 1755, ano em que se estabelece numa propriedade que baptiza Délices, próximo de Genebra.

 

Obra

Lettres philosophiques; Eléments de la Philosophie de Newton Le désastre de Lisbonne Essai sur les moeurs.

 

 

Pensamento

Mestre da ironia, utilizou-a como arma superior do indivíduo civilizado para atingir os seus inimigos, frequentemente por ele parodiados, demonstrando em todos os momentos um finíssimo sentido de humor.

São conhecidas as suas divergências com Montesquieu sobre o Direito dos povos à guerra. Voltaire não vê oposição entre uma sociedade alienante e um indivíduo oprimido mas antes crê num sentimento universal e inato da justiça, que tem que observar-se nas leis de todas as sociedades. A vida em comum exige uma convenção, um contrato social para preservar o interesse de cada um. O instinto e a razão do indivíduo levam-no a respeitar e promover tal pacto. O propósito da Moral é ensinar-nos os princípios desta convivência frutífera. O trabalho do homem é tomar o seu destino nas suas mãos, melhorar a sua condição mediante a ciência e a técnica e dar beleza à vida através da Arte.

A sua filosofia prática prescinde de Deus, ainda que Voltaire não seja ateu; o universo implica a existência de um "eterno geómetra" (Voltaire é teísta). No entanto, não crê na intervenção divina nos assuntos humanos e denuncia o providencialismo em Cândido, onde muitos críticos percebem o ataque irreverente – e mesmo distorcido – ao pensamento de Leibniz.

Viveu como um fervoroso opositor da Igreja Católica que, segundo ele, era um símbolo da intolerância e da injustiça. Por esse motivo pode ter sido incapaz de fazer justiça ao Cristianismo. Mas revelou, em contrapartida à sua postura ideológica acerca da Igreja, a sua profissão de fé à religião Católica, em um texto assinado por ele mesmo, publicado numa revista francesa. Neste texto, o pensador francês pede perdão a Deus pelas faltas cometidas e por ter escandalizado a Igreja por anos. Empenhou-se, também, na luta contra os erros judiciais e na ajuda às suas vítimas. A burguesia liberal e anticlerical fez dele seu ídolo. Se por algum motivo Voltaire ficou na História, foi por nos ter proporcionado o conceito de tolerância religiosa e por ter legado uma impressionante obra literária a um só tempo crítica e satírica. Foi um incansável lutador contra a intolerância e a superstição e sempre defendeu a convivência pacífica entre pessoas de diferentes crenças e religiões.

 

 

Migalhas filosóficas

Um mendigo dos arredores de Madrid esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:

- O senhor não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?

- Senhor, - respondeu o pedinte - estou-lhe a pedir dinheiro e não conselhos. - E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas.

Era um mendigo soberbo. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si mesmo, e por amor de si mesmo não suportava reprimendas.

Viajando pela Índia, topou um missionário com um faquir carregado de cadeias, nu como um macaco, deitado sobre o ventre e deixando-se chicotear em resgate dos pecados de seus patrícios hindus, que lhe davam algumas moedas do país.

- Que renúncia de si próprio! - dizia um dos espectadores.

- Renúncia de mim próprio? - retorquiu o faquir. - Ficai sabendo que não me deixo açoitar neste mundo senão para vos retribuir no outro. Quando fordes cavalo e eu cavaleiro.

Tiveram pois plena razão os que disseram ser o amor de nós mesmos a base de todas as nossas acções – na Índia, na Espanha como em toda a terra habitável. Supérfluo é provar aos homens que têm rosto. Supérfluo também seria demonstrar-lhes possuírem amor-próprio. O amor-próprio é o instrumento da nossa conservação. Assemelha-se ao instrumento da perpetuação da espécie. Necessitamo-lo. É-nos caro. Deleita-nos – E cumpre ocultá-lo.

 

Bibliografia

pt.wikipedia.org

www.citador.pt

Trabalho feito por Sílvia Ramos nº 22-10º anoA

 

publicado por julmar às 15:55
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