Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Impressão Digital - António Gedeão

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.
publicado por julmar às 08:23
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Cristalizações

É na mudança que as coisas repousam e encontram a sua própria tranquilidade

(Heraclito)

publicado por julmar às 08:18
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Das diferentes classes de filosofia

A filosofia moral, ou ciência da natureza humana, pode ser tratada de duas maneiras diferentes; cada uma delas tem seu mérito peculiar e pode contribuir para o entretenimento, instrução e reforma da humanidade. A primeira considera o homem como nascido principalmente para a acção; como influenciado em suas avaliações pelo gosto e pelo sentimento; perseguindo um objecto e evitando outro, segundo o valor que esses objectos parecem possuir e de acordo com a luz sob a qual eles próprios se apresentam. Como se admite que a virtude é o mais valioso dos objectos, os filósofos desta classe pintam-na com as mais agradáveis cores e, valendo-se da poesia e da eloquência, discorrem acerca do assunto de maneira fácil e clara: o mais adequado para agradar a imaginação e cativar as inclinações. Escolhem, na vida cotidiana, as observações e exemplos mais notáveis, colocam os caracteres opostos num contraste adequado e, atraindo-nos para os caminhos da virtude com visões de glória e de felicidade, dirigem nossos passos nestes caminhos com os mais sadios preceitos e os mais ilustres exemplos. Fazem-nos sentir a diferença entre o vício e a virtude; excitam e regulam nossos sentimentos; e se eles podem dirigir nossos corações para o amor da probidade e da verdadeira honra, pensam que atingiram plenamente o fim de todos os seus esforços.

Investigação sobre o Entendimento Humano, David Hume

publicado por julmar às 12:49
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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Qual a origem dos nossos conhecimentos?

Diz Descartes:

«Gostaria de explicar sumariamente em que consiste toda a ciência que possuímos hoje e quais são os graus de sabedoria a que chegámos:

O primeiro grau contém apenas noções que são, por si só, tão claras que podem ser adquiridas sem meditação.

O segundo compreende tudo o que é conhecido através dos sentidos.

O terceiro abrange o que a conversa com os outros homens nos ensina

O quarto grau, a leitura, não de todos os livros, mas particularmente os que foram escritos por pessoas capazes  de nos dar boas instruções.

(…)

Através de todos os tempos, houve homens que tentaram um quinto grau, mais alto e mais seguro que os outros quatro, para conseguirem a sabedoria: trata-se de encontrar as primeiras causas e os primeiros princípios dos quais se podem deduzir as razões de tudo o que somos capazes de conhecer. E àqueles que nisso em particular trabalharem chamamos filósofos».

Os princípios da Filosofia

publicado por julmar às 19:58
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Vale a pena Filosofar

«A filosofia é como uma árvore cujas raízes são a metafísica, o tronco a física, e os ramos são as outras ciências, que se reduzem a três principais: a medicina, a mecânica e a moral, entendendo eu por moral a mais elevada e perfeita que, pressupondo um conhecimento integral das outras ciências, constitui o último grau de sabedoria»

E que entende Descartes por sabedoria?

«A palavra filosofia significa estudo da sabedoria, e por sabedoria não se entenda apenas a prudência nos negócios mas um conhecimento perfeito de todas as coisas que ao homem é dado saber, tanto para a conduta da sua vida, como para a manutenção da saúde e invenção de todas as artes»

Como conseguir o conhecimento que nos leva à sabedoria?

«É necessário deduzi-lo das primeiras causas ou princípios e a isso se chama filosofar»

Vale a pena filosofar?

«… só ela nos distingue dos mais selvagens e bárbaros; cada civilização é tanto mais civilizada e polida quanto melhor os homens aí filosofam; o maior bem de um Estado ´e possuir verdadeiros filósofos …Viver sem filosofar é precisamente como ter os olhos fechados e não tentar abri-los. O prazer de ver tudo o que a nossa vista alcança não é sequer comparável à satisfação dada pelo conhecimento pelo adquirido através da filosofia. Em suma, este estudo é mais necessário para regrarmos os costumes  e para nos conduzirmos nesta vida que usarmos os olhos para guiar os nossos passos»

 Os princípios da Filosofia, René Descartes

publicado por julmar às 17:09
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Fadas boas e fadas más

Entenderíamos melhor o mundo e tenderíamos a fazer o bem se, com mais frequência, lêssemos pequenas histórias de crianças.

«Há duas espécies de fadas : as fadas boas e as fadas más. As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más.

As fadas boas regam as flores com orvalho, ascendem o lume dos velhos, seguram pelo bibe as crianças que vão cair ao rio, encantam os jardins, dançam no ar, inventam sonhos  e, à noite, põem moedas de ouro nos sapatos dos pobres.

As fadas más fazem secar as fontes, apagam as fogueiras dos pastores, rasgam a roupa que está ao sol a secar, desencantam os jardins, arreliam as crianças, atormentam os animais e roubam o dinheiro dos pobres.

Quando uma fada boa vê uma árvore morta, com os ramos secos s e sem folhas, toca-lhe com a sua varinha de condão e no mesmo instante a árvore cobre-se de folhas, de flores, de frutos, e de pássaros a cantar.

Quando uma árvore má vê uma árvore cheia de folhas, de flores, de frutos e de pássaros a cantar, toca-lhe com a sua varinha mágica de mau fado, e no mesmo instante um vento galado arranca as folhas, o frutos apodrecem, as flores murcham, os pássaros caem mortos no chão».

A Fada Oriana, Sofia de Mello Breyner Andersen

publicado por julmar às 16:38
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

O Alquimista - Susana Rocha

  

Recentemente tive a oportunidade de ler “O Alquimista”, um livro da autoria de Paulo Coelho. O que é que um romance tem de filosófico? Bem, neste caso, eu diria tudo. Embora a filosofia não seja o tema do livro, ela está presente em todos os pensamentosdas personagens, em todos os seus diálogos.

A história gira em torno de um jovem pastor que, havendo sonhado com um tesouro enterrado sob as pirâmides do Egipto, viaja para África na esperança de enriquecer. Ao longo do seu percurso depara-se com diversas questões filosóficas como, por exemplo, a importância de ouvirmos a nossa consciência (na história representada pelo coração do pastor). No entanto, para mim, a questão mais importante que é levantada, é a questão do destino: Somos verdadeiramente livres? Ou, independentemente do que façamos, terá tudo o mesmo resultado?

De certa forma pode ser reconfortante acreditar no destino, pois porque haveremos de sentir remorsos por uma coisa sobre a qual não temos controlo?

Desde a antiguidade que o destino é visto como uma entidade poderosa, contra a qual não há fuga possível. Este facto serviu de base a muitas histórias, sendo a mais trágica a história de Édipo que, ao fugir do seu destino, acabou por o cumprir.

No entanto, eu sou da opinião de que o destino não existe, sendo este apenas uma desculpa para as pessoas não assumirem as consequências dos seus erros, ou para baixarem os braços e desistirem quando as coisas se tornam difíceis.

É este o preço a pagarmos pela nossa liberdade. Temos o poder de escolher, mas temos de assumir os resultados dessa escolha…para o bem ou para o mal.

publicado por julmar às 19:01
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A pedra

O distraído tropeçou nela e caiu

O bruto usou-a como um projéctil que fere
O empreendedor empregou-a e construiu

O camponês sentou-se nela para descansar

As crianças brincaram com ela
O poeta poetizou-a

O escultor fez dela a mais bela escultura


Em todos os casos, a diferença nunca foi a pedra, foi o homem!

E 2008 e a tua vida será o que fizeres da pedra

publicado por julmar às 18:41
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008

SOUBE QUE VOCÊS NADA QUEREM APRENDER - B. Bretch

Soube que vocês nada querem aprender
então, devo concluir que vocês são milionários.
Seu futuro está garantido - sua frente iluminado.
Seus pais cuidaram para que seus pés
Não topassem com nenhuma pedra.
Neste caso, você nada precisa aprender.
Assim como é, pode ficar.

Havendo dificuldades, pois os tempos
Como ouvi dizer, são incertos
Você tem seus líderes, que lhe dizem
Exactamente o que tem a fazer, para que
Vocês estejam bem.
Eles leram aqueles que sabem
As verdades válidas para todos os tempos
E as receitas que sempre funcionam.
Onde há tantos a seu favor
Você não precisa levantar um dedo.
Sem dúvida, se fosse diferente

Você teria que aprender

publicado por julmar às 19:33
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

A Pintura de Leonardo, in Wikipédia

Pintura

Ano de realização

Pintura

Ano de realização

Anunciação

1472-1475

Homem Vitruviano

1490

A Virgem de Granada

1475-1480

Madona Litta

1490-1491

O Batismo de Cristo

1475-1478

La Belle Ferronière

1490-1495

Ginevra de' Benci

1475-1478

A Última Ceia

1495-1497

Madona del Garofano (Madona do Cravo)

1478-1480

A Virgem das Rochas (2ª versão de Madona das rochas)

1495-1508

Madona Benois

1478-1480

Madona, o Menino,Sant'Ana e São João Batista

1499-1500

Anunciação (segunda versão)

1478-1482

Madona do Fuso

1501

São Jerônimo

1480-1482

Batalha de Anghiari

1503-1505

Adoração dos Magos

1481-1482

Mona Lisa ou La Gioconda

1503-1506

Madona das Rochas

1483-1486

Cabeça de Mulher ou La Scapigliata

1507

Dama com Arminho

1483-1490

A Virgem, o Menino e Sant'Ana

1508-1510

Retrato de Músico

1485

 

Leda e o Cisne

1510-1515

Retrato de Dama

1490

Auto Retrato

1512-1515

São João Batista

1513-1516

São João Baptista (com os atributos de Baco)

1513-1516

publicado por julmar às 22:24
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